4 de out de 2011

Reconstruindo a Pólis: Mobilidade urbana no Brasil

Uma das principais discussões sobre cidades mais sustentáveis no Brasil aborda como diminuir a centralidade que as nossas cidades têm sobre o automóvel no desenho urbano. Soma-se a isso o fato de que praticamente todas as cidades no país reproduzem o modelo de centro e periferia o que leva diariamente ao caos no transporte que levam as pessoas de suas casa, geralmente na periferia para o trabalho, no centro e o trabalho de volta para casa. Esses dois fatos resultam nas imagens que vemos todos os dias de ruas congestionadas e transportes públicos lotados. 




Muitas cidades no mundo também estão passando pelo mesmo questionamento e alguns princípios estão sendo incorporados para tornar os fluxos entre os moradores das cidades mais amigável.

As diretrizes apontam para alternativas como:

Multiplicar os centros:
Ou seja, diminuir a necessidade de deslocamentos, facilitar que pessoas morem e trabalhem nos seus bairros, estimular ao acesso de serviços diversificados no entorno das residências. Essa é uma ótima oportunidade para criar empregos locais, pode fortalecer a comunidade de vizinhos, encoraja atividades econômicas de base e cria mais espaços para lazer.
Uma experiência modelo em Vitoria – Gasteiz,  na Espanha, possibilita que 99% da população tenha acesso à serviços básicos e à áreas verdes em um raio de 300 metros das suas residências.
http://www.cidadessustentaveis.org.br/boas_praticas/exibir/157



Promover acesso universal e com qualidade dos meios de transportes:
Prioriza que as populações mais pobres tenham acesso a serviços de transporte mais baratos e de melhor qualidade. Dentro da lógica do centro e periferia das cidades brasileiras os mais pobres são os que mais necessitam do transporte público e são os que pagam mais caro por isso e o recebem com a pior qualidade. O valor da tarifa torna populações mais pobres ainda mais isoladas de oportunidade de trabalho e serviços públicos.

Além disso é fundamental universalizar os serviços para que pessoas com deficiência possam usufruir integralmente de seu direito a locomoção nos espaços públicos.




Incorporar a diversidade de modal no transporte:
Nas cidades já circulam pessoas que usufruem de uma diversidade de modos de locomoção: são pedestres, ciclistas, usuários de metrô e ônibus, taxistas, motociclistas, motoristas de carros e caminhão. O ideal para cidades mais sustentáveis é priorizar os modais mais leves, menos poluentes e mais coletivos. Cada modal de transporte precisa ter uma prioridade diferente no desenho urbano. 

Usar a tecnologia da informação à nosso favor:
-                    Não necessariamente precisamos estar presente nos lugares. Hoje a internet e a comunicação em rede pode facilitar a nossa vida. Não necessariamente precisamos ir ao supermercado fazer compras se há supermercados na internet ou se pode fazer pedido por telefone. Não necessariamente temos que estar no escritório para reunião se as ferramentas de teleconferências são gratuitas e acessíveis para internautas. No Brasil o trabalho remoto está sendo cada vez mais reconhecido. Segundo pesquisa da Cisco 60% dos brasileiros preferem trabalhar remotamente. Em outra pesquisa realizada pela Citrix Systems, 87% dos entrevistados afirmam que o trabalho remoto é aceito em suas empresas e que 57% trabalham remotamente durante um ou dois dias por semana e 27% por três dias ou mais.
-                    A tenologia pode monitorar o trânsito e auxiliar motoristas sobre melhores trajetos. Sistemas de coleta de dados a partir de muitos veículos geram informações com maior confiança.    http://olhardigital.uol.com.br/produtos/central_de_videos/monitoramento_transito
-                    Alguns sites criam comunidades em empresas e universidades para organizar caronas. No e-carona, por exemplo (http://www.ecarona.com.br), os usuários podem avaliar a confiabilidade dos caroneiros e existe meio para checar se as informações do usuário são oficiais.

Gestão participativa
Escutar as demandas da população por transporte contribui para que governos planejem melhor e ofereçam transporte público com maior qualidade e mais eficiente para os usuários. Processos participativos permitem constante atualização dos sistemas de mobilidade urbano e utilização efetiva dos recursos. No caso da experiência de Barcelona, a criação de um Pacto da Mobilidade nacional reúne diferentes setores da sociedade para comporem plano de mobilidade para a cidade que permite reduzir o gasto indevido de recursos públicos.





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