4 de out. de 2011

Agitando a praça: movimentos de intervenção em praças públicas

Movimento Boa Praça: http://boapraca.ning.com/
O Movimento Boa Praça é uma iniciativa de moradores dos bairros Alto de Pinheiros, Lapa, Vila Romana e Vila Anglo que buscam uma cidade mais humana, com vizinhos que se conheçam e praças cheias de vida... Essa história começou quando Alice, que completaria 4 anos, quis comemorar seu aniversário na praça. Como estava deteriorada, sua mãe teve a ideia de trocar presentes por um parquinho novo para a praça François Belanger. Amigos, parentes, vizinhos, empresas locais e a subprefeitura se uniram para que esse desejo fosse realizado. Essa experiência despertou os moradores da região, que começaram a se mobilizar para movimentar a praça com piqueniques comunitários todo último domingo do mês. Os piqueniques acabaram atraindo a atenção de moradores das praças vizinhas que, ao se identificarem com a iniciativa, aderiram ao núcleo inicial e criaram o Movimento Boa Praça.
Hoje o movimento mobilizar as pessoas para revitalizar e ocupar as praças, devolvendo a elas seu sentido inicial: de lugar de encontro, diversão, debate e inclusão.
Todo mês eles organizam piqueniques em que fazem mediação de leitura e produção de arte para crianças, coletas de lixo, música ao vivo e até fanzines.

É um movimento que revitaliza praças na Vila Madalena. Os moradores do entorno e interessados não convidados para dar uma nova cara para as praças abandonadas da região. Mutirões são organizados para o plantio de novas mudas, arrumar canteiros, limpar a grama, colocar bebedouros de pássaros e sinalizações, plantio em pneus e colocar lixeiras. O Mão na Praça foi uma ideia inicial da Designer Marina Santos,  ela realiza uma visita inicial a praça, coletam dados e fazem um planejamento que é divulgado no blog para convocar as pessoas antes de ser aplicado na praça. A evolução pode ser acompanhada através dos registros publicados no blog.

Reconstruindo a Pólis: Mobilidade urbana no Brasil

Uma das principais discussões sobre cidades mais sustentáveis no Brasil aborda como diminuir a centralidade que as nossas cidades têm sobre o automóvel no desenho urbano. Soma-se a isso o fato de que praticamente todas as cidades no país reproduzem o modelo de centro e periferia o que leva diariamente ao caos no transporte que levam as pessoas de suas casa, geralmente na periferia para o trabalho, no centro e o trabalho de volta para casa. Esses dois fatos resultam nas imagens que vemos todos os dias de ruas congestionadas e transportes públicos lotados. 




Muitas cidades no mundo também estão passando pelo mesmo questionamento e alguns princípios estão sendo incorporados para tornar os fluxos entre os moradores das cidades mais amigável.

As diretrizes apontam para alternativas como:

Multiplicar os centros:
Ou seja, diminuir a necessidade de deslocamentos, facilitar que pessoas morem e trabalhem nos seus bairros, estimular ao acesso de serviços diversificados no entorno das residências. Essa é uma ótima oportunidade para criar empregos locais, pode fortalecer a comunidade de vizinhos, encoraja atividades econômicas de base e cria mais espaços para lazer.
Uma experiência modelo em Vitoria – Gasteiz,  na Espanha, possibilita que 99% da população tenha acesso à serviços básicos e à áreas verdes em um raio de 300 metros das suas residências.
http://www.cidadessustentaveis.org.br/boas_praticas/exibir/157



Promover acesso universal e com qualidade dos meios de transportes:
Prioriza que as populações mais pobres tenham acesso a serviços de transporte mais baratos e de melhor qualidade. Dentro da lógica do centro e periferia das cidades brasileiras os mais pobres são os que mais necessitam do transporte público e são os que pagam mais caro por isso e o recebem com a pior qualidade. O valor da tarifa torna populações mais pobres ainda mais isoladas de oportunidade de trabalho e serviços públicos.

Além disso é fundamental universalizar os serviços para que pessoas com deficiência possam usufruir integralmente de seu direito a locomoção nos espaços públicos.




Incorporar a diversidade de modal no transporte:
Nas cidades já circulam pessoas que usufruem de uma diversidade de modos de locomoção: são pedestres, ciclistas, usuários de metrô e ônibus, taxistas, motociclistas, motoristas de carros e caminhão. O ideal para cidades mais sustentáveis é priorizar os modais mais leves, menos poluentes e mais coletivos. Cada modal de transporte precisa ter uma prioridade diferente no desenho urbano. 

Usar a tecnologia da informação à nosso favor:
-                    Não necessariamente precisamos estar presente nos lugares. Hoje a internet e a comunicação em rede pode facilitar a nossa vida. Não necessariamente precisamos ir ao supermercado fazer compras se há supermercados na internet ou se pode fazer pedido por telefone. Não necessariamente temos que estar no escritório para reunião se as ferramentas de teleconferências são gratuitas e acessíveis para internautas. No Brasil o trabalho remoto está sendo cada vez mais reconhecido. Segundo pesquisa da Cisco 60% dos brasileiros preferem trabalhar remotamente. Em outra pesquisa realizada pela Citrix Systems, 87% dos entrevistados afirmam que o trabalho remoto é aceito em suas empresas e que 57% trabalham remotamente durante um ou dois dias por semana e 27% por três dias ou mais.
-                    A tenologia pode monitorar o trânsito e auxiliar motoristas sobre melhores trajetos. Sistemas de coleta de dados a partir de muitos veículos geram informações com maior confiança.    http://olhardigital.uol.com.br/produtos/central_de_videos/monitoramento_transito
-                    Alguns sites criam comunidades em empresas e universidades para organizar caronas. No e-carona, por exemplo (http://www.ecarona.com.br), os usuários podem avaliar a confiabilidade dos caroneiros e existe meio para checar se as informações do usuário são oficiais.

Gestão participativa
Escutar as demandas da população por transporte contribui para que governos planejem melhor e ofereçam transporte público com maior qualidade e mais eficiente para os usuários. Processos participativos permitem constante atualização dos sistemas de mobilidade urbano e utilização efetiva dos recursos. No caso da experiência de Barcelona, a criação de um Pacto da Mobilidade nacional reúne diferentes setores da sociedade para comporem plano de mobilidade para a cidade que permite reduzir o gasto indevido de recursos públicos.





Reconstruindo a Pólis: o futuro das Cidades

Pela primeira vez na história, há mais pessoas morando em cidades. Hoje, três quartos da humanidade mora em centros urbanos. Sendo assim, é um grande desafio pensar como os fluxos de pessoas, suas relações, e de mercadorias podem ser mais harmônicos. É difícil pensar uma cidade diferente sem pensar numa necessária mudança de mentalidade para que desde já possamos começar a construir a cidade que dê conta dos anseios do futuro.

Levantamos alguns conteúdos da internet que trazem algumas respostas de como poderão ser a cidades no futuro e de que maneira melhorar os fluxos e as relações humanas dos que nelas vivem e nelas circulam. Abaixo seguem alguns links de experiências no mundo que ajudam a trazer algumas reflexões sobre o futuro das cidades e mais abaixo soluções que estão sendo implementadas para melhorar a mobilidade nos centros urbanos. Algumas experiências mostram como o conceito de sustentabilidade está sendo incorporado no planejamento de adaptação construindo hoje a cidade que melhor acolher os desejos dos moradores no próximo século.

Em uma apresentação para o TED, Alex Steffen comenta as tendências de cidades mais compartilhadas no futuro. Para assistir na versão em português é possível inserir legendas. http://www.ted.com/talks/alex_steffen.html

Já este documentário em quatro partes de Alain De Botton mostra como escolhemos viver em casas com padrões de construção e arquitetura do século XIX, da era industrial. Alain questiona a reprodução das tradições de construção e a mentalidade do homem contemporâneo na busca por um conforto interno em casas que não dialogam com o entorno e as comunidades e o quanto cada vez mais se busca integrar a vida entre campo e cidade inclusive na arquitetura. Porque não uma arquitetura que integra esses dois desejos? http://www.youtube.com/watch?v=7K9GM_QRE_Q



Como construir uma cidade sustentável no meio do deserto para 400 mil pessoas? A cidade de Masdar em Abu Dabi vai em busca dessa resposta com planos de apresentar alguma solução até 2015. http://www.youtube.com/watch?v=UhCYuaerhaw&feature=related



Ao contrário da experiência dos Emirados Árabes, essa outra simpática experiência na cidade Freiburg, na Alemanha, busca a cidade do futuro sem fazer brotar uma cidade nova, mas realizando transformações significativas numa cidade existente. Essa cidade integra soluções nas casas, nos bairros e planejamento urbano. http://www.youtube.com/watch?v=1d1VBkirTJY